Tuesday, April 8, 2008

a época das limpezas .2

O detective decide procurar o perpetrador com as próprias mãos.
Começa pelo local onde a primeira vítima decidira suicidar-se — um estacionamento junto ao campus universitário.

Recorda-se do impotente que se sentiu quando deu entrada na esquadra na manhã seguinte e um colega lhe atira com a novidade à cara: “Olha, a gaja tanto dizia que nunca mais voltava a entrar no carro e afinal foi-se matar lá dentro!”
Recorda-se também da máquina de escrever que lhe valera um processo disciplinar — fora com ela com que desfez a pala do chapéu contra o nariz do tal colega, ainda ele mal tinha começado a rir-se das próprias palavras.

A concentração de pessoas junto ao RedBus (uma esplanada inserida à volta de um autocarro londrino) multiplica-se. O burburinho retira José Fonseca do transe em que se encontrava.
Resolve aproximar-se.

Começa por meter conversa com algumas moças, tentando perceber se conheciam a última vítima ou se teriam visto algo de estranho nos últimos dias. Passado um bocado, surgem colegas dela que te contam que ela era muito tímida: “nem tinha ido às praxes!”
Outra conta-lhe que sabia que ela tinha acabado uma relação há pouco tempo e que o namorado era muito ciumento. Mas, no meio de muitas baboseiras de caloiras quasi-bêbedas, algo se demarcou; uma delas disse ter reparado num tipo que não tirava os olhos da amiga: “um gajo ruivo com ar esquisito” — recordou, no meio de um calafrio.

Olha em volta. Nenhum ruivo à vista.
Pára os questionários por agora (mas não sem antes avisar as moças para que não aceitem bebidas de estranhos) e deixa-se ficar por lá na penumbra, observando.

Um grupo de raparigas, no meio de alguns tropeções e muitas gargalhadas, afasta-se em direcção à rotunda.
O detective mantém-se ali, observando.
Mas eis que outra pessoa se junta ao grupo, ainda que deixando uma certa distância. Não tropeça, não ri. Segue-as cabisbaixo.

O detective decide investigar. Deixa a sua bebida a meio e lança-se em perseguição…

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Monday, April 7, 2008

crítica mordaz

Do tempo em que estudara em Benfica, como um dos Pupilos do Exército, a única coisa que reteve foi o gosto pela esgrima.
Quando finalmente conseguiu libertar-se dos desígnios dos pais (uma longa família de militares), Afonso fugiu do país, andando durante algum tempo de um lado para o outro à boleia. Mas eis que chega ao seu destino — Londres
onde tenta inscrever-se na Drama School, mas não é aceite.
No entanto, começa a frequentar o circulo artístico da cidade, adoptando o consumo de psicotrópicos que o levavam a experiências psicadélicas.
Uma dessas “viagens” resulta numa performance no metro londrino que lhe vem valer uma bolsa de estudo num curso à sua escolha.

Uma dezena de anos volvidos regressa a Portugal, onde é convidado a orientar vários workshops de expressão dramática. Um dos quais vem a garantir-lhe o papel de encenador convidado, no gretUA. No entanto, as peças que escolhe para o reportório do grupo são demasiado experimentais e, nos últimos tempos, tem sido bombardeado pela crítica.

Paralelamente, ainda por Londres, Afonso foi desenvolvendo o seu gosto pela esgrima, chegando a competir pelos Swashbuckler London Club. Aí, recebeu formação em várias artes de esgrima — desde medievais a asiáticas, passando por duelos victorianos. Numa dessas formações construiu uma bengala que o acompanha a todo o momento.

Ora, como sempre se passeia de bengala em punho, rapidamente se tornou uma figura marcante da noite da cidade; ao que vêm ajudar as várias intervenções performativas com que vai ponteando o circuito cultural: Spoken Words, no Navio de Reflexos; Contos do Absurdo, no Cave Negra; e, mais recentemente, Poesia (Sub)real, no Fluxus Club.

Esta era uma dessas noites…

Afonso Quintaneiro, Creative Charismatic Hero 2
__Player:_André Ferreira_

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Thursday, April 3, 2008

na calma da noite

Judite termina o curso de Medicina Geral e sai directamente do Palácio da Bemposta para a Brigada de Intervenção de Coimbra (BIC), onde vem a concluir o Doutoramento em Medicina Legal. Pelo meio, no entanto, apanhou o Euro 2004, várias manifestações e Queimas das Fitas até às cinzas… Ora, como não fora para tratar de bêbedos que seguira a vida militar, quando chegou a altura certa escolheu não renovar contrato, passando à reserva territorial.

É então repescada pela Polícia Judiciária e, hoje, divide o seu tempo entre o Departamento de Investigação Criminal (na PJ de Aveiro) e o Departamento de Medicina Legal do Hospital Infante D. Pedro.

Tudo estaria bem, não fosse a carga horária que lhe é imposta… No entanto, Judite prefere assim. A morgue à noite é mais calma…

Drª Judite Macedo, Doctor Dedicated Hero 1 / Smart Hero 1__Player:_Catarina
_

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Friday, February 22, 2008

as ruelas da invicta .4

Os movimentos repentinos de Jacques apanham o Vandâ de surpresa e, ainda que tente esboçar uma navalhada, não consegue responder decentemente.

Jacques consegue puxá-lo facilmente para baixo e, dando a volta por detrás dele, engancha-lhe o pescoço com o braço esquerdo. Com a outra mão torce-lhe o braço que segura a naifa por detrás das suas costas.

Aperta.

O Vandâ ainda se sacode uma, esperneia duas vezes… mas logo perde a força e desfalece.

A navalha tilinta ao cair no chão. Jacques solta o Vandâ para a frente. Cai seco, dentes primeiro, no cimento oleoso da garagem.

O público está em silêncio.


Os capangas da organização logo se aproximam, cercando Jacques para que não sofra represálias, e escoltam-no para o escritório do Conde – o chefão da operação.

Este, de fato branco e gravata de padrão xadrez, estava já sentado do outro lado da secretária: “Tás de parabéns, carago! Pega lá na tua parte…” – desenha um sorriso malandro. “Agora desampara-m’a loja, ó Francês!”

Os capangas levam-no ao chuveiro improvisado, deixando transpirar que alguém deverá ter dito aos apostadores que o Vandâ tinha uma surpresa hoje. É que praticamente toda a gente apostou nele…! “Só o Conde é que apostou em ti, pá!” – diz um deles, piscando o olho.

Com efeito, apesar do Conde lhe ter dado €200, Jacques conseguira entrever uma maquia muito maior numa das gavetas da sua secretária.

Jacques secas-se com uma toalha suada.

Os capangas acompanham-no à saída. “Agora ‘tás por tua conta.” – relembram.

Jacques acende um cigarro e, enquanto dá as primeiras passas, numa esquina mais à frente há alguém que o chama: “Aí, ó Avec, não queres bir até aqui!?”

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Thursday, February 14, 2008

as ruelas da invicta .3

Jacques fita a sua ferida só de relance e responde com um forte soco no estômago do Vandâ.

A força do seu soco foi tanta que o assustou à séria(!), mas os compinchas dele gritam a incentivá-lo: «Fura-m’esse gajo! Baza-lh’um olho!»

O Vandâ recobra os ânimos e desata a correr contra Jacques, de navalha em punho!

 

Jacques tenta desviar-se mas o ímpeto do Vandâ ultrapassa as suas expectativas. Carrega sobre Jacques negando a sua defesa, e consegue desferir-lhe um golpe com a navalha.

Mas Jacques aproveita o seu movimento pesado para lhe aplicar uma valente joelhada nas costelas.

O Vandâ fica cego de raiva e sacode-lhe a navalha à cara. Mas Jacques baixa-se sem grandes problemas.

 

Agora Jacques vira-se ao Vandâ (ainda de frente) e tenta agarrá-lo pelo cachaço.

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Wednesday, February 13, 2008

as ruelas da invicta .2

Para Jacques, nada melhor do que começar a semana de folga com um bom combate! O seu ranking era invejável e apostar nele era dinheiro seguro. Gostavam de o ver a cansar o adversário, antes de lhe aplicar o ‘combo de Brest’ (como era já conhecida a sua rotina de socos e ganchos).

Mas o combate de hoje era diferente! Este combate não acabava no terceiro Round, como era normal nas lutas clandestinas. Este combate durava até ao Knock Out: às vezes horas, às vezes segundos — mas rendia mais algum dinheiro…!

Na verdade, Jacques não estava muito preocupado. Já tinha encontrado este adversário no ‘ring’ e conhecia bem as suas manhas: os seus compinchas chamavam-lhe Vandâ, por causa dos seus pontapés à altura do queixo! Mas os seus socos não tinham força nenhuma!

O combate realizava-se dentro de um círculo de motas.

Ligam-se os motores. VRUUM
Ligam-se os faróis, apontados aos dois adversários, que já suam debaixo das luzes.

Um bacano acelera a primeira vez. Últimas apostas.

Segundo burst. Pessoal ao rubro. Todos os olhos postos nos lutadores.

O tal bacano acelera a terceira vez. O combate começa assim que a mota chegue ao ralentim e, depois, só pára quando um dos dois não se levantar.

A DT já ronrona. O Vandâ lança-se ao ar num rotativo de fúria. Quase que apanhava Jacques desprevenido. Ainda o obriga a dar as costas ao pilar. Pressiona. Chuta no estômago. Jacques defende. Contra-balanceia co’um kick no pilar, volta-se.

O gajo parecia ter aprendido umas coisas desde o último encontro. Jacques esboça o ‘combo de Brest’ para o atiçar, mas ele parecia ter estudado uma defesa contra o golpe. Nada , porém, que com umas pequenas alterações, Jacques não conseguisse romper.

Mas eis que se desvenda o segredo máximo do Vandâ: um dos seus compinchas lança-lhe uma navalha para junto dos pés. Ele corre a agarrá-la e chicoteia o braço co’a mira posta em Jacques! WUUUSH! Consegue surpreendê-lo com um golpe no ombro e, acto contínuo, uma cotovelada no peito!

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Monday, May 14, 2007

fluXus

Apesar do seu bar não ter autorização para continuar aberto depois das 2h, Marcelo só vai para casa às 6h da manhã.

 

Habituou-se a ver sempre as mesmas pessoas a passar por si no alvor do dia — o padeiro a espalhar a farinha desde a padaria, o guarda-nocturno da Fábrica da Ciência Viva, o senhor Esteves da loja das iscas e, às sextas-feiras (sempre e só às sextas-feiras) aquela freira com ar de alucinada que toma conta da capela do outro lado da rua.

 

Ignorado durante muito tempo devido à sua localização, o Fluxus Club atingiu lugar de destaque a partir do Euro 2004, por causa da visita da Torcida Laranja. No entanto, nos últimos tempos vem caindo de novo no esquecimento.

Mas Marcelo acredita que isso tudo irá mudar a partir da próxima semana. Tem preparada uma programação de assombro e não há ninguém que não tenha um volante do Fluxus Club dentro do bolso.

Nada poderá correr mal.

Marcelo, Entrepreneur Charismatic Hero 1Player: Paulo Reis_

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Saturday, May 12, 2007

todos os anjos e santos

Desde que deixou a vida conventual (que na sua Ordem se resume a apenas 5 anos de clausura), a irmã Maria do Rosário facilmente arranjou trabalho no Museu de Aveiro, onde tomava conta da Sala da Barca, ou ajudava ao restauro de obras sacras com mais de duzentos anos.

 

Mas, agora que o museu sofre remodelações, a irmã aceitou em tomar conta da Capela das Carmelitas, uma nova extensão do museu.

 

Para além disso, aceitou ter a seu cargo a capelinha de São Tiago, junto à Baixa de Santo António, que visita todas as madrugadas de 6ª-feira, para que o local não fique ao Deus-dará.

 

O tempo que lhe resta, divide-o entre as bibliotecas mais proeminentes da cidade — a do próprio museu, a da universidade e a do seminário. Maria do Rosário procura nos livros escritos pelo homem uma resposta que O livro ainda lhe não deu.

 Maria La Salette do Rosário, Religious Dedicated Hero 2   —   Player: Raquel_

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Friday, May 11, 2007

do not disturb

Terminou os seus estudos em França, onde veio a aprofundar o seu gosto pelo Mangá e pela cultura japonesa em geral.

 

Presentemente, divide o seu tempo entre o Porto (onde lecciona Escrita Criativa) e Londres (onde leva a cabo as suas experiências e vai servindo como consultor para muitas produções cinematográficas).

 

Foi convidado para ser orador numa série de conferências, em Aveiro, dentro do âmbito da segunda edição do Anime Weekend. Foi, portanto, um choque quando, tendo já feito reserva de quarto para a semana em questão, o informaram de que afinal o festival fora adiado para 2008.

 

Mas nem por isso desmarcou a reserva. Iria aproveitar estes dias para descansar, reencontrar velhos amigos e, talvez, escrever alguma coisa mas, acima de tudo, para relaxar um bocado.

 Crimson Kooning, Academic Smart Hero 1   —   Player: Jerónimo Rocha_

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Thursday, May 10, 2007

aves nocturnas

Definitivamente, a polícia não era para si. Não se sentia bem debaixo daquela imensidão de regulamentos e regras que protegiam mais os criminosos do que outra coisa.

Quando deixou de ser polícia, Armando andou por aí em devaneio, sem saber muito bem qual o seu papel. Mas agora, a partir da sua sala de visionamento, ele tinha a certeza de que é um dos poucos destinados a ser segurança. Zelar pelos outros; pelos bens dos outros. Ser a primeira barreira contra os malfeitores.

E, para Armando, o próximo malfeitor podia ser qualquer pessoa.

Por isso, mantinha-se sempre alerta ao longo de toda a noite.

Os colegas, desde aquela exposição sobre aves nocturnas, começaram a tratá-lo por “Bufo”. Mas não estavam a referir-se àquela vez, enquanto Armando ainda estava na força, que não fechou os olhos à corrupção dos seus colegas — nada disso! Referiam-se ao facto de fazer a ronda sempre com os olhos mais que abertos — atento a todo e qualquer movimento estranho — e, de aqueles remoinhos no cabelo lhes fazerem lembrar do cartaz da exposição.

Às 6h da manhã, quando despegava ao serviço, entretinha-se a observar os transeuntes no caminho a casa. O barman do bar da esquina, o padeiro da ruela lá do fundo e, às sextas-feiras, aquela freira apressada a entrar na capela ao lado do seu trabalho — outras aves nocturnas, tal como ele.

 Armando “Bufo”, Law Enforcement Tough Hero 2   —   Player: Paulo Marques_

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