Monday, May 14, 2007

fluXus

Apesar do seu bar não ter autorização para continuar aberto depois das 2h, Marcelo só vai para casa às 6h da manhã.

 

Habituou-se a ver sempre as mesmas pessoas a passar por si no alvor do dia — o padeiro a espalhar a farinha desde a padaria, o guarda-nocturno da Fábrica da Ciência Viva, o senhor Esteves da loja das iscas e, às sextas-feiras (sempre e só às sextas-feiras) aquela freira com ar de alucinada que toma conta da capela do outro lado da rua.

 

Ignorado durante muito tempo devido à sua localização, o Fluxus Club atingiu lugar de destaque a partir do Euro 2004, por causa da visita da Torcida Laranja. No entanto, nos últimos tempos vem caindo de novo no esquecimento.

Mas Marcelo acredita que isso tudo irá mudar a partir da próxima semana. Tem preparada uma programação de assombro e não há ninguém que não tenha um volante do Fluxus Club dentro do bolso.

Nada poderá correr mal.

Marcelo, Entrepreneur Charismatic Hero 1Player: Paulo Reis_

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Saturday, May 12, 2007

todos os anjos e santos

Desde que deixou a vida conventual (que na sua Ordem se resume a apenas 5 anos de clausura), a irmã Maria do Rosário facilmente arranjou trabalho no Museu de Aveiro, onde tomava conta da Sala da Barca, ou ajudava ao restauro de obras sacras com mais de duzentos anos.

 

Mas, agora que o museu sofre remodelações, a irmã aceitou em tomar conta da Capela das Carmelitas, uma nova extensão do museu.

 

Para além disso, aceitou ter a seu cargo a capelinha de São Tiago, junto à Baixa de Santo António, que visita todas as madrugadas de 6ª-feira, para que o local não fique ao Deus-dará.

 

O tempo que lhe resta, divide-o entre as bibliotecas mais proeminentes da cidade — a do próprio museu, a da universidade e a do seminário. Maria do Rosário procura nos livros escritos pelo homem uma resposta que O livro ainda lhe não deu.

 Maria La Salette do Rosário, Religious Dedicated Hero 2   —   Player: Raquel_

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Friday, May 11, 2007

do not disturb

Terminou os seus estudos em França, onde veio a aprofundar o seu gosto pelo Mangá e pela cultura japonesa em geral.

 

Presentemente, divide o seu tempo entre o Porto (onde lecciona Escrita Criativa) e Londres (onde leva a cabo as suas experiências e vai servindo como consultor para muitas produções cinematográficas).

 

Foi convidado para ser orador numa série de conferências, em Aveiro, dentro do âmbito da segunda edição do Anime Weekend. Foi, portanto, um choque quando, tendo já feito reserva de quarto para a semana em questão, o informaram de que afinal o festival fora adiado para 2008.

 

Mas nem por isso desmarcou a reserva. Iria aproveitar estes dias para descansar, reencontrar velhos amigos e, talvez, escrever alguma coisa mas, acima de tudo, para relaxar um bocado.

 Crimson Kooning, Academic Smart Hero 1   —   Player: Jerónimo Rocha_

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Thursday, May 10, 2007

aves nocturnas

Definitivamente, a polícia não era para si. Não se sentia bem debaixo daquela imensidão de regulamentos e regras que protegiam mais os criminosos do que outra coisa.

Quando deixou de ser polícia, Armando andou por aí em devaneio, sem saber muito bem qual o seu papel. Mas agora, a partir da sua sala de visionamento, ele tinha a certeza de que é um dos poucos destinados a ser segurança. Zelar pelos outros; pelos bens dos outros. Ser a primeira barreira contra os malfeitores.

E, para Armando, o próximo malfeitor podia ser qualquer pessoa.

Por isso, mantinha-se sempre alerta ao longo de toda a noite.

Os colegas, desde aquela exposição sobre aves nocturnas, começaram a tratá-lo por “Bufo”. Mas não estavam a referir-se àquela vez, enquanto Armando ainda estava na força, que não fechou os olhos à corrupção dos seus colegas — nada disso! Referiam-se ao facto de fazer a ronda sempre com os olhos mais que abertos — atento a todo e qualquer movimento estranho — e, de aqueles remoinhos no cabelo lhes fazerem lembrar do cartaz da exposição.

Às 6h da manhã, quando despegava ao serviço, entretinha-se a observar os transeuntes no caminho a casa. O barman do bar da esquina, o padeiro da ruela lá do fundo e, às sextas-feiras, aquela freira apressada a entrar na capela ao lado do seu trabalho — outras aves nocturnas, tal como ele.

 Armando “Bufo”, Law Enforcement Tough Hero 2   —   Player: Paulo Marques_

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Wednesday, May 9, 2007

as ruelas da invicta

No relatório do ECTLO, o parecer do psicólogo, Dr. Ulysse, indica-o como inapto para a frente de combate, sendo que “depois de diversas conversas com o referido soldado, recomendo(a) que depois do que aconteceu em «texto truncado», nomeadamente «texto truncado», ele não mais poderá servir na frente de combate, pelo que aconselho que seja colocado em reserva territorial.”

Foi assim que Jacques Xavier acabou por ser colocado como segurança, na Embaixada Francesa, em Lisboa. Mas as lembranças do seu passado em cenário de guerra não o largavam e decide tirar uns dias numa viagem pelo norte do país.

Eis que, ao passar pela ponte de S. João, espreita pelo comboio e sente uma pontada no estômago!

Aquela cidade era tão parecida com a sua terra natal que simplesmente tinha de viver lá!

O pedido de transferência deu entrada poucos dias depois e, em pouco tempo, estava a trabalhar como segurança do Consulado Francês, no Porto.

Mas, em pouco tempo, os fantasmas do passado voltaram para o assombrar e Jacques só encontrava a paz nas lutas clandestinas que iam acontecendo um pouco por toda a parte. Ganhou fama nos bairros de pior nome: Aleixo, Cerco, Lagarteiro. Onde quer que houvesse um ring numa cave escura, Jacques aparecia por lá.

Passou a conhecer as ruelas da Invicta melhor do que as da velha Brest.

A maioria dos gunas temia-o.

Ou, pelo menos, julgava que sim…

Jacques Xavier, Military Fast Hero 1Player: Tiago Xavier_

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Tuesday, May 8, 2007

a época das limpezas

Cheio de andar a fazer recados para advogados corruptos e de andar a seguir maridos que comiam fora de casa, José Fonseca consegue tirar um tempo de reflexão.

Espreita pela janela do seu escritório e observa a estátua dum velho diplomata que muito se batera em nome da democracia. Isso, na verdade, a ele pouco lhe dizia.

Não tinha preocupações políticas.

Apenas não gostava de se sentir enganado. E, segundo a sua perspectiva, o trabalho que as forças policiais andavam a fazer cheirava pior que a ria, em dia de maré baixa!

Decide então investigar a nova onda de crimes que paira sobre a cidade e que, em conferência de imprensa, um antigo colega seu viera dizer “não se tratarem nada mais do que meros boatos.”

Ora este era um boato que este detective em particular não iria deixar passar incólume, já que o modus operandi era em tudo similar ao de um crime que o atormentava desde há anos.

Na altura, apenas se começavam a conhecer os efeitos da nova droga chamada Blue-Nitro (ou GHB - a droga das violações, como depois veio a ser conhecida).

Na verdade, a primeira vítima aparecera adormecida no seu próprio carro, no parque de estacionamento da universidade; perfeitamente vestida à excepção dum botão trocado na blusa. E outra coisa: os seus estofos tresandavam a homem.

Quando foi apresentar queixa, ainda lhe fizeram testes médicos para ver se havia entrada forçada. Mas não havia sinais de luta. Por isso, desde logo colocaram a violação de lado e disseram-lhe apenas para beber menos.

José Fonseca, que na altura era um recém-chegado à polícia, achou aquilo tudo muito estranho e tentou ajudá-la. Só que, mais tarde, ela acabou por se suicidar com monóxido de carbono, no mesmo parque de estacionamento onde acordara sem memória.

A partir daí, José Fonseca tornara-se cada vez mais frio e, em pouco tempo, foi expulso da polícia por uso excessivo de força.

Agora, gere o seu pequeno negócio como detective privado.

Mas, como dizia há pouco, já não lhe basta amedrontar testemunhas ou aplicar o merecido correctivo aos maridos que mijam fora do penico.

Não, isso não lhe basta!

A sua gabardina anseia por sangue criminoso!

E, sabendo que na prisão há um cabo de vassoura à espera de cada violador, nada melhor do que começar com a época das limpezas!

José Fonseca, Investigative Strong Hero 1Player: Nuno Sarabando_

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Prólogo

«Terra de planície, banhada não só pela Ria que a penetra, conferindo-lhe originalidade, mas também por uma luminosidade, surpreendentemente doce, que muda a cada instante, numa alternância, de insuspeitas tonalidades.»
Sim, alguém escreveu um dia isto sobre Aveiro.
Esse alguém, é certo, nunca terá suspeitado da existência de algo mais…
Há-de ser um entre tantos cuja mente bloqueia a realidade.
Um entre tantos que se recusa a ver o que é tão óbvio.
Um entre tantos incapaz de se aperceber de que a cidade não oferece protecção a ninguém, ela própria completamente indefesa contra o avanço contínuo e incansável das forças das trevas.
Um entre tantos que mesmo perante evidências flagrantes da acção das forças das trevas não as consegue ver (ou prefere não as ver).

Um entre tantos que prefere aceitar esse véu auto-imposto de engano e decepção para conseguir seguir o seu dia-a-dia sem enlouquecer.

Mas nem todas as forças que actuam através das trevas são malignas.
São forasteiras, é verdade. E com toda a certeza não foram convidadas! Mas nem todas apresentam uma ameaça real…!
E esse facto só vem dificultar o papel daqueles que conseguem sentir a presença das trevas.
O conhecimento de que as trevas existem não dá paz de espírito a ninguém.
Apenas assegura que as trevas também chegarão a notar a presença de quem se dê conta delas…
Depois de as trevas se darem conta de nós nada mais é certo, apenas uma coisa: nunca mais olharemos a cidade com os mesmos olhos (se olhos ainda tivermos)…!
MWOAHAHA!
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