as ruelas da invicta .2
Para Jacques, nada melhor do que começar a semana de folga com um bom combate! O seu ranking era invejável e apostar nele era dinheiro seguro. Gostavam de o ver a cansar o adversário, antes de lhe aplicar o ‘combo de Brest’ (como era já conhecida a sua rotina de socos e ganchos).
Mas o combate de hoje era diferente! Este combate não acabava no terceiro Round, como era normal nas lutas clandestinas. Este combate durava até ao Knock Out: às vezes horas, às vezes segundos — mas rendia mais algum dinheiro…!
Na verdade, Jacques não estava muito preocupado. Já tinha encontrado este adversário no ‘ring’ e conhecia bem as suas manhas: os seus compinchas chamavam-lhe Vandâ, por causa dos seus pontapés à altura do queixo! Mas os seus socos não tinham força nenhuma!
O combate realizava-se dentro de um círculo de motas.
Ligam-se os motores. VRUUM
Ligam-se os faróis, apontados aos dois adversários, que já suam debaixo das luzes.
Um bacano acelera a primeira vez. Últimas apostas.
Segundo burst. Pessoal ao rubro. Todos os olhos postos nos lutadores.
O tal bacano acelera a terceira vez. O combate começa assim que a mota chegue ao ralentim e, depois, só pára quando um dos dois não se levantar.
A DT já ronrona. O Vandâ lança-se ao ar num rotativo de fúria. Quase que apanhava Jacques desprevenido. Ainda o obriga a dar as costas ao pilar. Pressiona. Chuta no estômago. Jacques defende. Contra-balanceia co’um kick no pilar, volta-se.
O gajo parecia ter aprendido umas coisas desde o último encontro. Jacques esboça o ‘combo de Brest’ para o atiçar, mas ele parecia ter estudado uma defesa contra o golpe. Nada , porém, que com umas pequenas alterações, Jacques não conseguisse romper.
Mas eis que se desvenda o segredo máximo do Vandâ: um dos seus compinchas lança-lhe uma navalha para junto dos pés. Ele corre a agarrá-la e chicoteia o braço co’a mira posta em Jacques! WUUUSH! Consegue surpreendê-lo com um golpe no ombro e, acto contínuo, uma cotovelada no peito!