Friday, February 22, 2008

as ruelas da invicta .4

Os movimentos repentinos de Jacques apanham o Vandâ de surpresa e, ainda que tente esboçar uma navalhada, não consegue responder decentemente.

Jacques consegue puxá-lo facilmente para baixo e, dando a volta por detrás dele, engancha-lhe o pescoço com o braço esquerdo. Com a outra mão torce-lhe o braço que segura a naifa por detrás das suas costas.

Aperta.

O Vandâ ainda se sacode uma, esperneia duas vezes… mas logo perde a força e desfalece.

A navalha tilinta ao cair no chão. Jacques solta o Vandâ para a frente. Cai seco, dentes primeiro, no cimento oleoso da garagem.

O público está em silêncio.


Os capangas da organização logo se aproximam, cercando Jacques para que não sofra represálias, e escoltam-no para o escritório do Conde – o chefão da operação.

Este, de fato branco e gravata de padrão xadrez, estava já sentado do outro lado da secretária: “Tás de parabéns, carago! Pega lá na tua parte…” – desenha um sorriso malandro. “Agora desampara-m’a loja, ó Francês!”

Os capangas levam-no ao chuveiro improvisado, deixando transpirar que alguém deverá ter dito aos apostadores que o Vandâ tinha uma surpresa hoje. É que praticamente toda a gente apostou nele…! “Só o Conde é que apostou em ti, pá!” – diz um deles, piscando o olho.

Com efeito, apesar do Conde lhe ter dado €200, Jacques conseguira entrever uma maquia muito maior numa das gavetas da sua secretária.

Jacques secas-se com uma toalha suada.

Os capangas acompanham-no à saída. “Agora ‘tás por tua conta.” – relembram.

Jacques acende um cigarro e, enquanto dá as primeiras passas, numa esquina mais à frente há alguém que o chama: “Aí, ó Avec, não queres bir até aqui!?”

Posted by wa-su at 02:08:23
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