Wednesday, May 9, 2007

as ruelas da invicta

No relatório do ECTLO, o parecer do psicólogo, Dr. Ulysse, indica-o como inapto para a frente de combate, sendo que “depois de diversas conversas com o referido soldado, recomendo(a) que depois do que aconteceu em «texto truncado», nomeadamente «texto truncado», ele não mais poderá servir na frente de combate, pelo que aconselho que seja colocado em reserva territorial.”

Foi assim que Jacques Xavier acabou por ser colocado como segurança, na Embaixada Francesa, em Lisboa. Mas as lembranças do seu passado em cenário de guerra não o largavam e decide tirar uns dias numa viagem pelo norte do país.

Eis que, ao passar pela ponte de S. João, espreita pelo comboio e sente uma pontada no estômago!

Aquela cidade era tão parecida com a sua terra natal que simplesmente tinha de viver lá!

O pedido de transferência deu entrada poucos dias depois e, em pouco tempo, estava a trabalhar como segurança do Consulado Francês, no Porto.

Mas, em pouco tempo, os fantasmas do passado voltaram para o assombrar e Jacques só encontrava a paz nas lutas clandestinas que iam acontecendo um pouco por toda a parte. Ganhou fama nos bairros de pior nome: Aleixo, Cerco, Lagarteiro. Onde quer que houvesse um ring numa cave escura, Jacques aparecia por lá.

Passou a conhecer as ruelas da Invicta melhor do que as da velha Brest.

A maioria dos gunas temia-o.

Ou, pelo menos, julgava que sim…

Jacques Xavier, Military Fast Hero 1Player: Tiago Xavier_

Posted by wa-su at 21:36:35 | Permalink | No Comments »

Tuesday, May 8, 2007

a época das limpezas

Cheio de andar a fazer recados para advogados corruptos e de andar a seguir maridos que comiam fora de casa, José Fonseca consegue tirar um tempo de reflexão.

Espreita pela janela do seu escritório e observa a estátua dum velho diplomata que muito se batera em nome da democracia. Isso, na verdade, a ele pouco lhe dizia.

Não tinha preocupações políticas.

Apenas não gostava de se sentir enganado. E, segundo a sua perspectiva, o trabalho que as forças policiais andavam a fazer cheirava pior que a ria, em dia de maré baixa!

Decide então investigar a nova onda de crimes que paira sobre a cidade e que, em conferência de imprensa, um antigo colega seu viera dizer “não se tratarem nada mais do que meros boatos.”

Ora este era um boato que este detective em particular não iria deixar passar incólume, já que o modus operandi era em tudo similar ao de um crime que o atormentava desde há anos.

Na altura, apenas se começavam a conhecer os efeitos da nova droga chamada Blue-Nitro (ou GHB - a droga das violações, como depois veio a ser conhecida).

Na verdade, a primeira vítima aparecera adormecida no seu próprio carro, no parque de estacionamento da universidade; perfeitamente vestida à excepção dum botão trocado na blusa. E outra coisa: os seus estofos tresandavam a homem.

Quando foi apresentar queixa, ainda lhe fizeram testes médicos para ver se havia entrada forçada. Mas não havia sinais de luta. Por isso, desde logo colocaram a violação de lado e disseram-lhe apenas para beber menos.

José Fonseca, que na altura era um recém-chegado à polícia, achou aquilo tudo muito estranho e tentou ajudá-la. Só que, mais tarde, ela acabou por se suicidar com monóxido de carbono, no mesmo parque de estacionamento onde acordara sem memória.

A partir daí, José Fonseca tornara-se cada vez mais frio e, em pouco tempo, foi expulso da polícia por uso excessivo de força.

Agora, gere o seu pequeno negócio como detective privado.

Mas, como dizia há pouco, já não lhe basta amedrontar testemunhas ou aplicar o merecido correctivo aos maridos que mijam fora do penico.

Não, isso não lhe basta!

A sua gabardina anseia por sangue criminoso!

E, sabendo que na prisão há um cabo de vassoura à espera de cada violador, nada melhor do que começar com a época das limpezas!

José Fonseca, Investigative Strong Hero 1Player: Nuno Sarabando_

Posted by wa-su at 20:03:40 | Permalink | Comments (1) »

Prólogo

«Terra de planície, banhada não só pela Ria que a penetra, conferindo-lhe originalidade, mas também por uma luminosidade, surpreendentemente doce, que muda a cada instante, numa alternância, de insuspeitas tonalidades.»
Sim, alguém escreveu um dia isto sobre Aveiro.
Esse alguém, é certo, nunca terá suspeitado da existência de algo mais…
Há-de ser um entre tantos cuja mente bloqueia a realidade.
Um entre tantos que se recusa a ver o que é tão óbvio.
Um entre tantos incapaz de se aperceber de que a cidade não oferece protecção a ninguém, ela própria completamente indefesa contra o avanço contínuo e incansável das forças das trevas.
Um entre tantos que mesmo perante evidências flagrantes da acção das forças das trevas não as consegue ver (ou prefere não as ver).

Um entre tantos que prefere aceitar esse véu auto-imposto de engano e decepção para conseguir seguir o seu dia-a-dia sem enlouquecer.

Mas nem todas as forças que actuam através das trevas são malignas.
São forasteiras, é verdade. E com toda a certeza não foram convidadas! Mas nem todas apresentam uma ameaça real…!
E esse facto só vem dificultar o papel daqueles que conseguem sentir a presença das trevas.
O conhecimento de que as trevas existem não dá paz de espírito a ninguém.
Apenas assegura que as trevas também chegarão a notar a presença de quem se dê conta delas…
Depois de as trevas se darem conta de nós nada mais é certo, apenas uma coisa: nunca mais olharemos a cidade com os mesmos olhos (se olhos ainda tivermos)…!
MWOAHAHA!
Posted by wa-su at 01:26:04 | Permalink | Comments (2)